Som das periferias dá o tom musical do Circulador Cultural e movimenta Centro Histórico

O hip-hop, o rap e o reggae foram os ritmos que animaram o público que assistiu às apresentações do projeto Circulador Cultural, realizado pela Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), neste domingo (19), na Casa da Pólvora, no Centro Histórico. As atrações foram Mc’Hirlla e seus convidados, com sua cultura da periferia, e o Coletivo Carcará Sound System, que apresentou temas sobre a resistência e a vivência dos povos originários da Paraíba.
O diferencial desta edição do evento foi a realização integrada do Festival Artístico-Cultural com o tema ‘O som da terra, o grito da quebrada’, em alusão ao Dia dos Povos Indígenas. O festival faz parte do projeto ‘Arte e Cultura nas Periferias’, da Casa Pequeno Davi, financiado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Conforme o diretor executivo da Funjope, Marcus Alves, a política de cultura da Prefeitura de João Pessoa é focada na valorização da diversidade e no processo de inclusão de diversas linguagens artísticas de agrupamentos múltiplos. “A gente acolheu o projeto da Casa Pequeno Davi, evidenciando a produtividade e a criatividade dos artistas da periferia. Todos os nossos editais culturais incluem a sistemática de cotas para democratizar o acesso de artistas pretos, LGBTQIAPN+, povos indígenas e de matrizes de culturas africanas. É um princípio nosso”, explicou.
A primeira apresentação foi do Coletivo Carcará Sound System, que animou o público com sua miscelânea sonora composta por reggae, dub, dancehall e rap. O coletivo é composto por 12 pessoas entre DJs/instrumentistas, cantoras e cantores e dupla de dançarinos, mas foi representado por dois integrantes.
A atriz e professora Deborah Menezes é frequentadora do Circulador Cultural e se surpreendeu com a programação desta edição do evento. “Eu adoro os eventos que acontecem aqui na Casa da Pólvora. Acho muito importante manter este espaço vivo com arte e cultura, e está tudo maravilhoso. Confesso que não conhecia muito bem a cultura do hip-hop, mas achei incrível. Essas oportunidades devem ser dadas para que essa cultura alcance outros espaços além da periferia”, destacou.
Pautas sociais – Antes de subir ao palco, a rapper e poeta marginal Mc’Hirlla falou sobre a importância de apresentar em seu show as pautas sociais da periferia. “Eu faço um rap de protesto, uma música sobre nossas lutas sociais e o que almejamos para o futuro: mais educação e respeito. Lutamos para que esse sistema seja modificado e que nós sejamos mais incluídos”, pontuou.
Ela, que também é produtora cultural e ativista social, agradeceu a oportunidade de estar em um evento da Prefeitura de João Pessoa. “Este é um palco renomado, e é importante um artista periférico de rua acessar esse espaço”, afirmou. A apresentação mostrou um pouco da cultura do hip-hop e contou com participações especiais, como Keyla Kaya e Kalu.
