“Meu Corpo Não é Sua Folia” é lançada com reforço da rede de proteção às mulheres na Paraíba

A oitava edição da campanha “Meu Corpo Não é Sua Folia” foi lançada na manhã desta terça-feira (2), na Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc). A iniciativa tem como objetivo o enfrentamento do crime de importunação sexual e a conscientização da sociedade sobre a importância do respeito ao corpo das mulheres, especialmente durante o período carnavalesco.
A campanha é coordenada pela Rede de Proteção às Mulheres em Situação de Violência na Paraíba (Reamcav) e conta com a atuação integrada de diversos órgãos, entre eles a Secretaria de Estado das Mulheres e da Diversidade Humana, a Secretaria da Segurança e da Defesa Social, a Polícia Civil, o Ministério Público, o Tribunal de Justiça da Paraíba, a Defensoria Pública, além de outros parceiros da rede de enfrentamento da violência contra as mulheres.
O evento de lançamento reuniu representantes de instituições estratégicas da rede de proteção, como a secretária das Mulheres e da Diversidade Humana, Lídia Moura; a juíza Graziela Queiroga, coordenadora da Mulher do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB); o coronel Lamarck, da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social; Luiza Dantas, secretária municipal de Mulheres de Baía da Traição; a delegada-geral adjunta Cassandra Duarte; a delegada Sileide Albuquerque, coordenadora das Delegacias de Mulheres da Polícia Civil; a promotora Dulcerita Alves; a representante do Programa Antes que Aconteça, Roberta Montenegro; a capitã Vivicleia, do Corpo de Bombeiros Militar; Fernanda Albuquerque, vice-coordenadora da Fundação Casa de José Américo; e Cely Andrade, representando o Movimento de Mulheres.
Durante a solenidade, a cantora Madu Ayá, que dá voz à campanha há oito anos, apresentou o jingle “Meu Corpo Não É Sua Folia”, de autoria do mestre Fuba. A apresentação emocionou o público e reforçou o lema que se consolidou como marca da campanha: “Eu digo não, é não”.
Em sua fala, a secretária das Mulheres e da Diversidade Humana, Lídia Moura, destacou que a campanha dialoga diretamente com a desconstrução da cultura do estupro e com a garantia dos direitos das mulheres. “A importunação sexual está relacionada a uma cultura que naturaliza a violação do corpo das mulheres. Essa campanha é um chamado à sociedade para compreender que o corpo da mulher não é público, não é disponível e não pode ser violado. Roupa não é convite. Uma roupa confortável é apenas a escolha daquela mulher para estar naquele espaço”, afirmou.
A secretária ressaltou ainda o caráter educativo e mobilizador da iniciativa. “É uma campanha de convencimento da sociedade e também de chamamento coletivo para o enfrentamento à importunação sexual. Ela fala tanto com possíveis agressores quanto com as mulheres, para que saibam que têm direito à denúncia e que o Estado está preparado para acolhê-las”, completou.
Lídia Moura também destacou os resultados positivos alcançados ao longo dos anos, especialmente com a adesão das gestoras municipais. “Temos visto um engajamento crescente das prefeituras do interior, que reproduzem a campanha durante as festas locais. Assim, vamos construindo uma cultura de respeito, deixando claro que, em uma festa ou em qualquer outro espaço, a mulher não deve ser importunada.”
A delegada-geral adjunta Cassandra Duarte enfatizou a importância da denúncia e do acolhimento às vítimas. “A importunação sexual é crime, conforme a Lei nº 13.718/2018, que prevê pena de um a cinco anos de prisão. A Polícia Civil está preparada para acolher, registrar e investigar essas ocorrências. Denunciar é um ato de coragem e também de proteção para outras mulheres”, destacou.
O coronel Lamarck, da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, reforçou a atuação integrada das forças de segurança durante o período carnavalesco. “A campanha fortalece as ações preventivas e a presença das forças de segurança nos eventos. Nosso objetivo é garantir que os espaços de festa sejam também espaços de respeito e segurança para as mulheres”, afirmou.
Já a juíza Graziela Queiroga, coordenadora da Mulher do TJPB, destacou o papel pedagógico da campanha. “Quando o Estado se posiciona de forma clara contra a violência de gênero, ele também educa. A campanha contribui para a informação sobre direitos, estimula a denúncia e fortalece a atuação da Justiça no enfrentamento à violência contra as mulheres”, pontuou.
Em 2026, a campanha “Meu Corpo Não é Sua Folia” prevê a distribuição de materiais educativos, como leques e adesivos, com os principais números de denúncia e emergência dos órgãos de segurança pública. As ações preventivas acontecerão durante as prévias carnavalescas e ao longo do Carnaval, em diversas cidades da Paraíba, com o apoio da Coordenadoria das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam).
Como denunciar
Se você for vítima ou presenciar qualquer ato de violência, não se cale. Apoie a vítima e denuncie.
Emergência: 190
Polícia Civil: 197
Disque 155 – Denúncias
Procure uma Delegacia da Mulher
Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher (orientações e denúncias)
